Riscos7 min de leitura
Gestão6 min de leituraAndi Arapi
O que vence em um desfibrilador, e quando
Um desfibrilador não quebra: vence. E vence em pedaços, em momentos diferentes, com datas impressas em etiquetas que ninguém olha até precisar.
Três relógios, nunca sincronizados
As partes de um DEA que têm data são três, e cada uma corre por conta própria. As pás adesivas têm o gel condutor, que resseca: depois de abertas não há volta, e fechadas duram alguns anos a partir da fabricação. A bateria tem vida própria, mais longa mas não infinita, e a declarada vale para um equipamento em espera — não para um que já foi usado. A checagem visual não é uma peça de reposição, mas é um vencimento de verdade: é o momento em que alguém olha o indicador de estado e confere se a caixa está intacta.
Os números exatos estão no manual do modelo, e mudam entre um Philips e um Zoll. O que não muda é o formato do problema: três datas diferentes, que nunca caem juntas, em um objeto que ninguém toca por meses.
É aí que nasce a armadilha. Um DEA checado em abril pode ter as pás boas e a bateria a dois meses do fim. Quem olhou em abril viu uma luz verde e fechou a caixa: a luz diz que o equipamento funciona agora, não que vai funcionar em setembro.
Dados
A vida de um equipamento, esticada
Durações típicas de um DEA deixado em espera. Os meses exatos dependem do modelo; o formato, não.
Passe o mouse sobre uma marca — ou chegue nela com o tab — para o detalhe.
Fonte: Durações declaradas nos manuais dos modelos mais difundidos
O registro é o sistema
Tudo o que é preciso para gerir um desfibrilador cabe em uma linha por equipamento e uma linha por checagem. Não é preciso um software para entender isso — é preciso para não esquecer.
A diferença entre uma planilha e um sistema é uma só: o sistema avisa antes. Uma lista de datas serve a quem a abre; uma data que vence em silêncio dentro de um arquivo que ninguém abre há oito meses não ajudou ninguém.
- Identificação: marca, modelo, número de série, onde está exatamente (não «a academia», mas «entrada da academia, parede direita»).
- Validade das pás, e separadamente a das pás pediátricas, se houver.
- Validade da bateria, com a data de instalação: serve para saber se a vida restante é a declarada.
- Data da última checagem visual e quem a fez.
- Registro de usos: depois de cada emprego real, pás e bateria são consideradas para troca.
- Um responsável com nome e sobrenome. Um equipamento pelo qual responde «a administração» não é responsabilidade de ninguém.
O custo de errar não é simétrico
Trocar as pás com antecedência custa algumas dezenas de euros. Não trocá-las custa um equipamento que, na hora em que é preciso, pede para colar dois eletrodos que não conduzem mais.
Por isso um bom calendário não mira a data de validade: mira algumas semanas antes. A margem serve para pedir a peça, recebê-la e instalá-la sem que o DEA fique descoberto nesse meio-tempo.
Para levar
- Os vencimentos de um DEA são pelo menos três e nunca coincidem: um único lembrete por ano deixa meses descobertos.
- A luz verde diz que o equipamento funciona agora, não que vai funcionar daqui a seis meses.
- Depois de cada uso real, pás e bateria são consideradas gastas independentemente da etiqueta.
Continue lendo
Organização5 min de leitura
Quem responde por um desfibrilador instalado
Os mesmos prazos, mas com alguém lembrando você
O SOS DAE Gestão reúne equipamentos, unidades, prazos e documentos em um lugar só, e avisa antes de uma data passar.